O mais recente levantamento do relatório "Conflitos no Campo Brasil", da Comissão Pastoral da Terra, indica que a violência continua em alta no interior de Mato Grosso. Em 2009 foram quatro assassinatos em decorrência direta dos conflitos agrários, duas delas em Bordolândia, na região do Araguaia (983 km de Cuiabá). É o segundo maior índice de homicidio no campo em todo Brasil. Em primeiro lugar está o Pará, com oito mortes em 2009.
Segundo o coordenador da Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso, Baltazar Ferreira de Melo, existem diversos conflitos espalhados pelo interior. Entre os mais greves ele cita o dos municípios de Novo Mundo e Nova Guarita, cujos trabalhadores foram despejados de áreas públicas federais pela Justiça Estadual. "A irmã Eleonora Bruneto, liderança muito forte na região, já recebeu diversas ameaças de morte. A própria Polícia Federal recomendou que ela mudasse de lugar", diz Baltazar.
O número de famílias despejadas também cresceu vertiginosamente em Mato Grosso. Segundo o estudo, em 2008 foram 150 famílias retiradas de suas casas, no ano passado esse número cresceu para 1320 famílias. Hoje, ao todo, existem 30 acampamentos de trabalhadores sem-terra, com cerca de 5 mil a 5,5 mil famílias que aguardam um pedaço de terra. "Em Porto Estrela descendentes de quilombolas foram despejados de suas terras e estão há 50 anos na beira da estrada", alerta Baltazar.